A OpenAI pediu menos dinheiro. O Brasil não abre hoje. E o passe que o Flávio ganhou reprova 85%.
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A B3 está fechada por Finados e só volta amanhã; o dólar fechou sexta a R$ 5,4385, o maior fechamento em pelo menos seis meses, e subiu 9,3% desde a véspera do segundo turno; o Ibovespa caiu pela quinta vez seguida e está 18,12% abaixo do fechamento de 23 de outubro; a OpenAI cortou a própria captação de US$ 30 para US$ 20 bilhões e o próprio preço de US$ 1,4 para US$ 1,25 trilhão; a Anthropic pediu abertura de capital e deve receber nota de categoria especulativa; a S&P baixou a perspectiva da Meta; o Flávio Bolsonaro entrou nos Estados Unidos com uma licença que teve 32 mil pedidos na fila e quase 85% de reprovação; a loteria de green card está suspensa e virou briga na Justiça; o petróleo caiu mais de 4%; e amanhã os Estados Unidos votam.
Bom dia. Hoje é Finados, a B3 não abre, os bancos não abrem, e não existe fechamento de bolsa nem cotação oficial de dólar para eu te contar. O Pix funciona, e é só isso que funciona.
Mas o fato de o Brasil parar não significa que a conta parou. Ela já está fechada, e eu vou começar por ela.
O dólar (e o resto do mercado)

Sexta-feira, 30 de outubro, foi o quinto fechamento em queda seguido da bolsa brasileira. O Ibovespa terminou a 167.922 pontos, baixa de 0,75%. O dólar fechou a R$ 5,4385, alta de 1,08% — e esse é o maior fechamento em pelo menos seis meses.
Agora junte as duas pontas da semana da eleição:
| 23 de outubro, véspera do 2º turno | 30 de outubro | |
|---|---|---|
| Dólar | R$ 4,9777 | R$ 5,4385 |
| Variação | +9,3% |
E a bolsa, na mesma régua, está 18,12% abaixo do fechamento de 23 de outubro. Só no dia 26, primeira sessão depois da urna, ela caiu 13,88%.
Nove por cento do real e dezoito por cento da bolsa, em uma semana e meia. Essa é a conta que o mercado já fez, e ela não depende do feriado de hoje.
Duas coisas sobre esse número, e as duas importam:
A primeira é que o dólar a R$ 5,4385 ainda está 2,7% abaixo da máxima de doze meses, que foi R$ 5,59 em 22 de dezembro de 2025. Ou seja: é ruim, é o pior em seis meses, e ainda não é o pior do ano.
A segunda é que nada disso é notícia de hoje. É o preço que ficou de sexta e vai ser testado amanhã, quando a bolsa reabrir. Quem olhar cotação de dólar em aplicativo hoje vai ver número de mercado de fora, não de mercado brasileiro.
Lá fora, o dia é de alta. A Ásia fechou majoritariamente em alta, a Europa opera mista e o pré-mercado em Nova York aponta para cima. O S&P 500 fechou sexta a 7.580, queda de 1,82%, e o juro de dez anos do Tesouro americano terminou a 4,934%.
E o petróleo despencou. O Brent caía mais de 4% por volta das 8h20, perto de US$ 108 o barril, com relatos de que Estados Unidos e Irã estão buscando caminho diplomático para encerrar o conflito. Na sexta eu te contei que o petróleo tinha subido com os dois trocando recados sobre o Estreito de Ormuz. Hoje é o contrário, e pelo mesmo motivo: o mesmo assunto, com o sinal trocado.
A semana que vem é que decide, e ela tem três datas:
| quando | o quê |
|---|---|
| terça, 3 | a bolsa brasileira reabre · eleições de meio de mandato nos Estados Unidos |
| quarta, 4 | Copom, decisão depois do fechamento. A Selic está em 13,75% |
| sexta, 6 | payroll americano |
E aqui tem uma virada que eu quero que você note: até pouco tempo o mercado esperava mais um corte de 0,25 ponto na Selic. Agora espera manutenção. Mudou de expectativa de corte para expectativa de parada, com os juros futuros pressionados. É o efeito da semana que você acabou de ler ali em cima.
O que a IA aprontou

A OpenAI cortou a própria captação. Era para levantar US$ 30 bilhões; agora busca US$ 20 bilhões. E baixou o próprio preço: de US$ 1,4 trilhão para US$ 1,25 trilhão de avaliação. A informação é do *Financial Times*; o *Wall Street Journal* diz que a empresa tem US$ 11 bilhões encaminhados até agora, com investidores dos Emirados puxando a fila e alguns dos grandes mornos.
Pare um segundo nessa frase, porque ela é estranha: a empresa mais quente do mundo pediu menos dinheiro e por um preço menor. Isso não acontece quando a fila está grande.
E não é um caso isolado. Foi uma semana inteira assim:
| o que aconteceu na semana | |
|---|---|
| Alphabet | caiu cerca de 12% na quinta, o pior dia da história da empresa |
| Intel | caiu quase 29% na sexta, o pior dia desde 1974 |
| caiu 29% na sexta, com o presidente culpando as respostas de IA do Google por tirar tráfego da busca | |
| Meta | a S&P baixou a perspectiva de estável para negativa, mantendo a nota AA−, citando fluxo de caixa negativo |
O fio que liga tudo isso é um só, e não é a tecnologia: é a conta de luz. As empresas estão gastando uma fortuna para construir a infraestrutura de IA, o investidor viu o tamanho do gasto nos balanços da semana passada, e resolveu perguntar quando volta.
E no meio disso, a Anthropic entrou com o pedido de abertura de capital — protocolou o S-1 em 26 de outubro, com receita disparando e fluxo de caixa positivo no primeiro semestre. A abertura é esperada para o mês que vem.
Só que tem um detalhe azedo: segundo o *Financial Times*, a Blackstone, que ancorou o acordo de US$ 63 bilhões para pagar os chips da empresa, avisou aos investidores para esperarem nota de crédito "BB" — o topo da categoria especulativa, o que o mercado chama de grau de não investimento. Antes dizia-se que a Anthropic seria grau de investimento antes de 2027. As duas empresas não comentaram.
Duas notícias menores que eu achei boas:
A OpenAI fechou acordo em Abu Dhabi hoje, durante visita do Sam Altman, para levar IA às operações da estatal de petróleo de lá. E o Google ligou um satélite com quatro chips de IA próprios em órbita — chama Suncatcher, está funcionando, e a primeira coisa que os engenheiros pediram foi um haikai sobre estar no espaço.
E uma que é piada e é aviso ao mesmo tempo: alguém publicou uma versão adulterada da extensão do Claude Code no marketplace do Cursor, e ela ficou no ar por cerca de 11 horas na quinta, chegando a até 5 mil usuários. Quem instala ferramenta de IA de qualquer lugar: confira a origem.
Brasil e Estados Unidos
Amanhã os Estados Unidos votam. São eleições de meio de mandato: boa parte da Câmara, parte do Senado e governadores de 36 estados. É o que vai definir a força do governo Trump até o fim do mandato atual.
E a Casa Branca já tem plano para o caso de perder. Está montado um pacote de quatro frentes que o Executivo consegue mover sem passar pelo Congresso: imigração, tarifas, custo de moradia e gastos federais. Entre as medidas em estudo há tarifas novas sobre importação de minerais críticos e de turbinas eólicas e regras mais duras para visto de estudante internacional e de trabalhador temporário.
Duas dessas frentes batem no Brasil: a tarifa, no exportador, e o aperto de visto, em família brasileira que depende de estudo ou de trabalho temporário lá.
Sobre a eleição em si, um dado: o apoio de eleitores latinos ao Trump caiu às vésperas da votação. E vale a nota de rodapé, que quase ninguém sabe: para o Censo americano, brasileiro não é latino. A classificação histórica considera latino ou hispânico quem vem de país de língua espanhola — até espanhol entra; brasileiro, não.
No Brasil, duas da pauta de hoje: a Binance começou a restabelecer os saques dos clientes no domingo, depois do ataque que levou US$ 6,3 bilhões, o maior roubo cibernético já registrado — eu te contei dele na sexta. E o JP Morgan acendeu alerta sobre o Banco do Brasil, apontando piora nos indicadores de atraso da carteira de crédito.
Se você está pensando em mudar

Esta é a parte mais importante da edição de hoje, e tem duas notícias.
A primeira é sobre a licença que o Flávio Bolsonaro recebeu para entrar nos Estados Unidos, e não é sobre política: é sobre o que esse documento é.
Ele entrou no dia 28 de outubro com uma classificação de admissão chamada "DT", que corresponde a *parole* — uma permissão para entrar e residir temporariamente sem admissão formal. Em regra, ela é dada por razão humanitária urgente ou por benefício público significativo. A dele vale até 27 de outubro de 2027.
Agora o número que interessa a quem está pensando em se mudar:
> No ano fiscal americano de 2026, até junho, havia mais de 32 mil pedidos do mesmo tipo de licença esperando decisão. Dos analisados no período, quase 85% foram negados. > > Fonte: USCIS, via Valor Econômico, 2 de novembro de 2026.
Quase oitenta e cinco por cento. E segundo advogados ouvidos sobre o caso, a decisão parece ter sido de nível executivo — "o que significa que a maioria das regras não se aplica".
Duas coisas que eu quero que você leve dessa notícia, e nenhuma é partidária:
Uma: *parole* não dá direito automático de trabalhar. A pessoa precisa se tornar elegível e pedir separadamente a autorização de emprego.
Duas: quem entra com *parole* não foi formalmente admitido para fins de imigração. É uma situação provisória, não uma porta de entrada.
A segunda notícia é a loteria de green card, e ela está pior do que a maioria imagina.
A linha do tempo, que eu fui conferir porque o assunto vive cheio de boato:
- 5 de novembro de 2025: o Departamento de Estado anuncia mudanças no processo e diz que informará a data de inscrição da DV-2027 "assim que possível" - 23 de dezembro de 2025: o governo anuncia a suspensão da emissão de vistos de diversidade - Até hoje, a inscrição da DV-2027 não abriu - Uma decisão judicial de primeira instância mandou o governo retomar o programa. O governo recorreu, e em 29 de outubro de 2026 a corte de apelações do Nono Circuito suspendeu essa decisão enquanto o recurso corre - 1º de novembro de 2026: uma nova ação foi aberta na Justiça federal da Califórnia para obrigar o Departamento de Estado a abrir a inscrição da DV-2027 e da DV-2028
Traduzindo: a loteria está suspensa, não há data de inscrição, e o assunto está na mão de juiz. Se alguém te oferecer inscrição na loteria de green card hoje, desconfie. Não há inscrição aberta para desconfiar de outra coisa.
E o aviso de sempre, que vale mais nesta edição do que em qualquer outra: eu não sou advogado, não avalio o caso de ninguém, e nada aqui é orientação sobre a sua situação. Isto é informação pública, com fonte e data. Quem tem dúvida sobre o próprio caso procura um advogado de imigração — e confere o registro dele na ordem dos advogados do estado antes de pagar qualquer coisa.
O que está bombando
A Apple divulga o balanço hoje, depois do fechamento do mercado americano — é o quarto trimestre fiscal dela, encerrado em setembro. Depois do que aconteceu com Alphabet, Amazon e Intel na semana passada, esse é o envelope que falta abrir.
Hoje também sai o ISM de indústria nos Estados Unidos, com consenso de 54,7 contra 54,5 do mês anterior. É dado que mexe com expectativa de juro e com o dólar — e, como o Brasil está fechado, é o único termômetro do dia.
E uma para rir e pensar: a Meta construiu um protótipo de robô humanoide chamado Max, em parceria com uma empresa chinesa, em cerca de três meses. Pesa uns 48 quilos, tem 1,5 metro, mostra expressão facial numa tela e tem mãos para pegar objeto pequeno. A empresa diz que é pesquisa interna e que não pretende vender.
Um robô doméstico de 48 quilos construído em três meses, feito por uma empresa cujo fluxo de caixa a S&P acabou de olhar com desconfiança. As duas notícias são da mesma semana, e da mesma empresa.
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