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A Intel perdeu 128 bilhões num dia. A Amazon levantou da lona. E a Binance perdeu 6,3 bilhões.

A Intel perdeu 128 bilhões num dia. A Amazon levantou da lona. E a Binance perdeu 6,3 bilhões.

A Intel fechou caindo 28,58% e perdeu o maior valor de mercado em um dia na história dela; a Amazon abriu caindo 7% e fechou caindo 1,47%; o Nasdaq fechou em queda de 2,86% e o ouro perdeu 3,68%; a Binance confirmou o maior roubo de cripto da história, US$ 6,3 bilhões; o Google abriu o Gemini a apps de fora, com uma brasileira na lista; o voo da fuga de Flávio foi pago de uma conta nos Estados Unidos e a carta dele passou pelo ChatGPT; os Estados Unidos acabaram de vez com a prorrogação automática da autorização de trabalho, e o próprio governo estima 33 mil pessoas sem poder trabalhar; a gasolina aqui custa US$ 4,20 e o salário subiu 3,1% no ano; e o desemprego no Brasil caiu a 5,2%.

Bom dia. Ontem eu escrevi que o Google tinha aberto o envelope da conta da IA e tomado o pior tombo da história dele.

Hoje a Amazon abriu o dela e levou um susto de manhã que tinha sumido no fim da tarde. Quem caiu da cadeira foi a Intel, que nem precisou de envelope: perdeu 28,58% só de contar o que vem pela frente.

O dólar (e o resto do mercado)

Uma cédula dourada ao lado de uma seta laranja subindo, com um fio claro marcando a base

O dólar fechou a R$ 5,44, alta de cerca de 1% no dia, com mínima de R$ 5,3793 de manhã e máxima de R$ 5,462 à tarde. O motivo de hoje foi o mundo: quando a Nasdaq cai quase 3%, dinheiro sai de país emergente e o real sente primeiro. O Ibovespa fechou em queda pela sexta vez seguida, a 168.009 pontos, mas caiu menos que todo mundo: 0,70%.

Lá em Nova York, o dia foi assim:

fechamento, 30 de outubro
Intel−28,58%, a US$ 65,76
Reddit−29,25%
AMD−10,93%
Nvidia−4,93%
Nasdaq Composite−2,86%, a 25.437
S&P 500−1,81%, a 7.580
Dow Jones−1,12%
Amazon−1,47%
Alphabet−1,20%, depois do −12,64% de ontem
ouro−3,68%, a US$ 3.883
bitcoin−1,2%, a US$ 76.822

Duas linhas dessa tabela contam o dia inteiro, e nenhuma é a que estava na manchete de manhã.

A primeira é a Amazon. Ela abriu caindo 7% no pré-mercado e fechou caindo 1,47%. Recuperou quase tudo com o pregão andando. Quem leu a manchete das nove e desligou o computador acha, agora, que a Amazon tomou uma surra. Não tomou.

A segunda é o ouro. Caiu 3,68% e perdeu os US$ 3.900. Ontem eu escrevi aqui que, enquanto o ouro ficasse parado, o problema não era sistêmico. Hoje ele se mexeu, e para baixo, no mesmo dia em que a bolsa caiu. Isso não é corrida para o abrigo: é gente vendendo o que dá para vender, para cobrir o que está perdendo em outro lugar.

O petróleo foi na direção oposta: WTI a US$ 104,43, alta de 2,38% no dia, enquanto Irã e Estados Unidos trocavam recados sobre o Estreito de Ormuz.

Agenda que fica: na terça tem eleição legislativa nos Estados Unidos. E o mês do Nasdaq terminou vermelho.

Três balanços de IA numa semana. Três envelopes. Um só tinha troco.

O que a IA aprontou

Um chip dourado no centro de uma placa de contorno claro cheia de pontos

A Amazon divulgou o trimestre ontem à noite. Lucro de US$ 1,89 por ação, quando o mercado esperava US$ 1,96. Receita de US$ 201,9 bilhões, contra US$ 202,3 bilhões esperados. Errou nos dois. E manteve o plano de gastar US$ 220 bilhões neste ano em infraestrutura, com o caixa livre negativo pelo segundo trimestre seguido, e bem mais negativo que no anterior.

Tem um detalhe que o mercado leu e, no fim do dia, resolveu levar em conta: a AWS, a nuvem da Amazon, teve o crescimento mais rápido em cinco anos. De manhã isso não bastava e a ação caía 7%. No fechamento, caía 1,47%. Alguém passou o dia relendo o balanço e achou o troco que não tinha visto às nove.

A Intel foi o susto que não passou. Fechou caindo 28,58%, a US$ 65,76, e perdeu cerca de US$ 128 bilhões de valor de mercado em um dia, o maior tombo de uma sessão na história da empresa, segundo a Dow Jones Market Data.

E o mais estranho: o trimestre dela foi bom. Receita de US$ 16,5 bilhões, alta de 20%, e lucro de US$ 0,52 por ação quando o mercado esperava US$ 0,40. O que derrubou foi a projeção. O diretor financeiro, David Zinsner, disse que a fraqueza dos PCs continua "pelo menos até o primeiro semestre de 2027", e a empresa projetou receita de US$ 15 a 16 bilhões para o trimestre que vem, contra US$ 17,1 bilhões esperados.

A ação tinha subido cerca de 150% no ano. Devolveu quase um terço disso numa frase sobre o futuro.

Resumo da semana, na ordem em que os envelopes abriram: Microsoft gastou US$ 45 bilhões e ainda sobrou caixa, subiu. Alphabet queimou US$ 9 bilhões, caiu 12,64%. Amazon queimou mais, manteve os US$ 220 bilhões e fechou caindo 1,47%, depois de abrir caindo 7%. Quatro empresas, uma pergunta. Uma respondeu "eu pago", e outra passou o dia convencendo o mercado de que também paga.

Apareceu isto: o Google abriu o Gemini e a Busca para aplicativos de fora. Chama Connected Apps: você liga um serviço ao Gemini e manda ele agir lá dentro, tipo montar uma playlist no YouTube Music ou um cartaz no Canva. Já são mais de 50 apps conectados, e na lista de parceiros tem Adobe, Peloton, Calm e a Localiza, a locadora de carros brasileira. A plataforma para empresas colocarem o próprio app está em preview nos Estados Unidos, por lista de espera, e o Google não disse quando abre para o resto. Preço para quem usa: nenhum anunciado. Eu não testei. Só achei curioso que, no dia em que o mercado cobra o Google, a resposta dele seja virar o balcão onde os outros vendem.

Brasil e Estados Unidos

Três pontos ligados em diagonal e um avião laranja no último

O senador Flávio Bolsonaro está em Miami desde quarta. Trump confirmou, na mesma quarta, que os Estados Unidos autorizaram a entrada dele, e disse que não vai se envolver: "foi uma eleição muito estranha, isso é certo". Na segunda ele tinha dito, sem apresentar prova, que a eleição "pareceu fraudada". O Departamento de Estado deu visto à família. Asilo, não.

Hoje saíram dois detalhes. O primeiro: o dono da Baires Fly, a empresa argentina do avião, disse que o voo foi contratado por um intermediário "que vende voos e mora nos EUA" e pago com US$ 150 mil transferidos de uma conta em banco americano. O segundo saiu ontem: a carta em que Flávio se declarou "presidente eleito", depois corrigida para "líder do Brasil", passou pelo ChatGPT. Foi o próprio jornalista Paulo Figueiredo, aliado dele, quem contou: pediram para a ferramenta inserir o brasão da República, e ela escolheu a versão antiga, de quando Brasil se escrevia com Z.

A IA errou o país. O resto da carta, os humanos erraram sozinhos.

Para quem lê do Brasil, o que importa é mais seco: um candidato derrotado está em solo americano com visto emitido pelo governo americano, uma semana antes de uma eleição legislativa aqui em que o partido do presidente pode perder o Congresso. Trump falou em "injustiça". O governo Lula ignorou. O que isso vira em tarifa, em remessa, em visto para o resto de nós, ninguém sabe ainda. Eu sei que o dólar abriu subindo.

Se você está pensando em mudar

Uma cédula dourada de um lado e três colunas laranja subindo do outro, com uma seta clara ao lado

Quatro coisas para quem faz conta de viver aqui: duas de papel e duas de bolso.

Hoje, de verdade: um grupo de deputados democratas mandou carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo explicações sobre o papel do governo Trump na saída de Flávio do Brasil e sobre a emissão do visto para ele e a família. Deram prazo até 13 de novembro para a resposta por escrito. O mesmo governo que deu o visto vai ter que explicar por escrito como deu.

E uma que não é de hoje, mas eu só fui ver agora, e por isso ela está aqui. Em 14 de outubro o DHS publicou a regra final que acaba de vez com a prorrogação automática da autorização de trabalho enquanto a renovação está sendo analisada. Está no Diário Oficial americano, 91 FR 65306. Não saiu em jornal brasileiro, não virou manchete em lugar nenhum, e muda a vida de quem mora aqui com o documento vencendo.

O que isso significa na prática: antes, quem pedia renovação no prazo continuava trabalhando por até 540 dias enquanto o governo analisava. Agora não. Se o cartão vence e a renovação ainda não saiu, a autorização de trabalho acaba no dia impresso no cartão.

Quem é atingido: quem está com pedido de green card em análise, cônjuge de H-1B com autorização de trabalho própria, e quem pediu asilo. Quem fica de fora: estudante com OPT na área de ciências, que mantém os 180 dias, e cônjuge de L e de E, cuja autorização vem do próprio status e não do cartão.

O próprio DHS estima que entre 20 e 33 mil autorizações vão vencer com a renovação pendente numa janela de 18 meses a partir de maio de 2027, com buraco médio de 40 dias sem poder trabalhar. Em 30 de junho havia 432 mil renovações paradas há mais de seis meses, e 91 mil há mais de dezoito.

A regra vale para renovações protocoladas desde 30 de outubro do ano passado. Quem protocolou antes disso mantém os 540 dias. Essa é a única linha que importa de verdade, e é uma data: olhe a sua. O que fazer com ela é conversa com advogado de imigração, não comigo.

A gasolina. A média nacional da AAA hoje, 30 de outubro, é US$ 4,20 o galão. Ontem era US$ 4,23. Um mês atrás, US$ 4,43. Um ano atrás, US$ 3,04. Caiu 20 centavos no mês e ainda está 38% acima de um ano atrás. Galão são 3,8 litros: dá US$ 1,11 o litro, uns R$ 6 no câmbio de hoje. Parece o preço de lá. A diferença é que aqui não tem ônibus.

O salário. O Departamento do Trabalho divulgou hoje o custo do emprego do terceiro trimestre: a remuneração dos trabalhadores subiu 0,8% no trimestre e 3,4% em doze meses; só salário, 3,1%; benefícios, 3,9%. É o número que o Fed olha para saber se a inflação está vindo do emprego.

Coloque os dois lado a lado: o salário subiu 3,1% em um ano. A gasolina, 38%. Dá para ir trabalhar. Voltar é que fica caro.

O que está bombando

Um cofre laranja de porta aberta e fichas douradas voando para fora

A Binance confirmou o maior roubo da história das criptomoedas: US$ 6,3 bilhões. Cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados com ajuda de parceiros, entre eles Tether e Circle; os outros US$ 3,3 bilhões continuam com os invasores. Os saques foram suspensos e devem voltar em até dois dias. O bitcoin fechou a US$ 76.822.

Duas empresas de análise de blockchain, a TRM Labs e a Chainalysis, atribuem o ataque ao TraderTraitor, grupo ligado à Coreia do Norte, com "alto grau de confiança". Mas a autoria não foi confirmada, e a Binance não endossa. O co-CEO Richard Teng disse que a origem foi o laptop de um engenheiro, e a empresa prometeu cobrir cada perda com recursos próprios: já reservou os US$ 6,3 bilhões.

Seis bilhões de dólares. O cofre era de aço. A porta era um notebook.

O desemprego no Brasil caiu a 5,2% no trimestre até setembro, segundo o IBGE, o menor número para o período desde 2012. São 5,6 milhões de desempregados, 4% a menos que no trimestre anterior.

Foi o único índice brasileiro que caiu esta semana sem ninguém reclamar.

O Banco do Japão manteve o juro em 1,25%, o mais alto desde 1995, e declarou que a inflação chegou à meta de 2% pela primeira vez desde que a meta existe, em 2013. Treze anos para chegar a 2%. A votação foi 8 a 1, e o voto vencido queria subir mais.

O Japão demorou treze anos para a inflação chegar a 2%. No Brasil isso é um feriado prolongado.

Sexta de Halloween. O susto veio sem fantasia, durou o dia inteiro, e no fim só a Amazon conseguiu tirar a máscara.

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