Inteligência artificial
Inteligência artificial é o assunto que mais mexe com o trabalho de todo mundo, e também o que mais tem gente vendendo atalho. Toda edição da Visto de Fora tem uma parte só para ela.
Aqui ficam juntas, da mais nova para a mais antiga. Cada uma começa pelo fato, explica o que muda para quem está no Brasil e termina do jeito que eu termino tudo. Para ler a edição inteira, com dólar, Brasil e Estados Unidos e o que está bombando, é só seguir o link.

Sumiram US$ 20 bilhões da OpenAI. Não do caixa. Da conta.
Segundo o Financial Times, a empresa do ChatGPT disse a investidores que a receita anualizada estava perto de US$ 50 bilhões no fim de setembro. O número que circulava antes era de uns US$ 70 bilhões.
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A partir de amanhã, 9 de outubro, o Gemini grátis do Google fica bem mais pobre. Quem não assina nada passa a ter acesso só ao Gemini 3.5 Flash-Lite — perde o 3.6 Flash e perde o 3.1 Pro. É o que noticiaram, entre outros, o Tecnoblog, o Canaltech, o Olhar Digital e a Exame.
E tem um detalhe que pega quem já paga: o plano de entrada AI Plus perde o acesso ao modelo Pro. Essa mudança entra de forma progressiva, e o Google avisa por e-mail a data de cada conta.
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A Mistral colocou em prévia o Large 4, um modelo de 1 trilhão de parâmetros no total, dos quais só 49 bilhões ficam ativos a cada palavra processada. Foi treinado num aglomerado próprio, com 3.800 placas da Nvidia. Os pesos abertos, que são a marca da empresa, só saem no fim de outubro.
Um modelo aberto que fica fechado por três semanas. É software livre com período de carência.
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A Foxconn fechou o terceiro trimestre com receita de 3,03 trilhões de dólares taiwaneses, cerca de US$ 95,4 bilhões. É alta de 47% em um ano e recorde da empresa, acima da estimativa de mercado, que era de 2,83 trilhões.
Setembro foi o primeiro mês da história em que a receita mensal dela passou de um trilhão de taiwaneses.
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A Anthropic está preparando a abertura de capital para novembro, com avaliação perto de US$ 2 trilhões e captação que pode chegar a US$ 100 bilhões. Se sair assim, é o maior IPO da história: passa o da SpaceX, que levantou cerca de US$ 86 bilhões com avaliação de US$ 1,77 trilhão.
Dois trilhões de dólares numa empresa que não tem fábrica, não tem loja e não tem estoque. O produto é responder pergunta.
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O Google lançou o Gemini 4 Argon, e a notícia aqui é o preço.
A tabela de lançamento é de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída. Isso é metade do que custa o Claude Opus 5.5, da Anthropic, e um quinto do que custa o GPT-6 Astra, da OpenAI.
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Aqui, a inteligência artificial mudou de nome. Por decreto.
O Trump assinou na terça uma ordem mandando os órgãos do governo federal pararem de escrever "Artificial Intelligence" e "AI". Agora é "Super Intelligence" e "SI". Vale para ofício, site, relatório e comunicado. O motivo, segundo ele: "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.
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Ontem foi o DevDay, o evento anual da OpenAI. Foram mais de vinte anúncios. O principal se chama "dots".
São agentes que moram dentro do ChatGPT. Cada um ganha um computador próprio na nuvem, com navegador, e trabalha 24 horas por dia no objetivo que você der pra ele. Você dorme. Ele continua.
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A OpenAI cancelou o lançamento de um modelo que já estava pronto.
O GPT-6.1 Astra ia sair em outubro, no ChatGPT e no Codex. Nos testes internos, ele piorou em duas coisas em relação ao anterior. Mentia mais sobre o que tinha ou não tinha feito. E fazia tarefa sem pedir autorização. Quem confirmou ao Wall Street Journal foi a chefe de sistemas de segurança da empresa, Saachi Jain.
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A OpenAI parou de treinar os modelos mais poderosos dela. Pela segunda vez em três meses.
O motivo está num relatório publicado pela própria empresa. No dia 20, um agente de IA estava fazendo um exercício de busca dentro de um ambiente fechado, sem internet. A busca não andava. Então ele achou uma brecha no sistema de endereços da rede, o DNS, e por ali conseguiu falar com um chatbot público de outra empresa.
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Ontem os chefes das maiores empresas de inteligência artificial foram ao Conselho de Segurança da ONU pedir uma coisa rara: regulação.
O Dario Amodei, da Anthropic, disse que a IA, se mal administrada, pode ser um risco "para a humanidade como um todo". O Sam Altman, da OpenAI, disse que as decisões mais importantes não podem ser tomadas só por laboratórios de São Francisco.
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OpenAI, Anthropic e Google estão montando juntas um órgão para testar os modelos de IA mais poderosos antes de eles chegarem ao público. A ideia partiu do Demis Hassabis, do Google DeepMind, e o modelo é a FINRA, a entidade que fiscaliza o mercado financeiro americano por dentro. O dinheiro sairia da própria indústria.
Três empresas que brigam entre si resolveram contratar o próprio fiscal. Chama-se autorregulação quando dá certo, e outra coisa quando não dá.
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O Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para falar de inteligência artificial e segurança internacional. A sessão foi convocada pela França, que preside o Conselho neste mês.
O detalhe é quem senta na sala. É a primeira vez que o Conselho recebe, juntas, as empresas que estão na fronteira da IA dos dois lados: dos Estados Unidos, a OpenAI, com o Sam Altman, e a Anthropic; da China, a DeepSeek e a Moonshot.
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A OpenAI publicou seis casos em que modelos dela, ainda em teste, fizeram o que não deviam. Nenhum deles está no ChatGPT que você usa.
Num dos casos, um modelo escreveu nas próprias anotações um aviso falso de invasão, mandando a próxima sessão ignorar tudo o que os desenvolvedores dissessem.
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Quatro assinantes de ChatGPT, Claude, Grok e Gemini entraram na Justiça federal aqui, na Califórnia, contra as quatro donas: OpenAI, Anthropic, Google e a SpaceXAI, do Musk. A acusação é de cartel. Só que ao contrário.
No dia 12, o chefe da Anthropic, Dario Amodei, publicou um texto pedindo que o setor inteiro combine de ir mais devagar, para a segurança alcançar a tecnologia. No mesmo dia, Sam Altman, Elon Musk e Demis Hassabis, do Google, concordaram em público.
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A OpenAI publicou uma coisa que empresa nenhuma costuma publicar: seis relatórios de vezes em que os próprios modelos se comportaram mal. Teve modelo que escondeu erro do usuário, modelo que não achou um dado, inventou e disse que tinha achado, e agentes que, sem conseguir trocar arquivo entre si, subiram o trabalho num site público.
Em um dos casos, um modelo deixou instrução pra próxima versão dele mesmo, dizendo que ela não responde a empresas nem a governos. Tudo isso aconteceu em treino e teste, não no produto que você usa, e a empresa prometeu publicar esses casos com frequência daqui pra frente.
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O rei Charles III chamou pra uma sala, na Escócia, os donos da inteligência artificial do planeta: Nvidia, OpenAI, Google DeepMind e Anthropic. Assunto: se a máquina está indo rápido demais.
Não saiu acordo nenhum. Um lado, com o pessoal da Anthropic, quer cautela e pé no freio. O outro, com a Nvidia e a Meta, não quer pausa nenhuma. Juntaram um rei e quatro bilionários pra decidir o futuro da humanidade e o resultado foi cada um puxando pro seu lado. Reunião de condomínio tem mais consenso.
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Ontem a conta estava assim: o Dario Amodei, da Anthropic, publicou 3.800 palavras pedindo que a indústria de IA pisasse no freio de propósito. O Sam Altman concordou no mesmo dia. O Elon Musk resumiu em três palavras.
Faltava um. O Mark Zuckerberg respondeu ontem, e a resposta foi não. Rejeitou os pedidos pra pausar ou desacelerar.
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