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Visto de Fora · 18 edições

Inteligência artificial

Inteligência artificial é o assunto que mais mexe com o trabalho de todo mundo, e também o que mais tem gente vendendo atalho. Toda edição da Visto de Fora tem uma parte só para ela.

Aqui ficam juntas, da mais nova para a mais antiga. Cada uma começa pelo fato, explica o que muda para quem está no Brasil e termina do jeito que eu termino tudo. Para ler a edição inteira, com dólar, Brasil e Estados Unidos e o que está bombando, é só seguir o link.

Duas pilhas de moedas lado a lado: uma alta desenhada só no contorno, e uma real, menor e cheia, com o espaço das moedas que faltam pontilhado

Sumiram US$ 20 bilhões da OpenAI. Não do caixa. Da conta.

Segundo o Financial Times, a empresa do ChatGPT disse a investidores que a receita anualizada estava perto de US$ 50 bilhões no fim de setembro. O número que circulava antes era de uns US$ 70 bilhões.

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Um prato de comida enorme sendo substituído por um prato pequeno com uma única azeitona, sob uma redoma

A partir de amanhã, 9 de outubro, o Gemini grátis do Google fica bem mais pobre. Quem não assina nada passa a ter acesso só ao Gemini 3.5 Flash-Lite — perde o 3.6 Flash e perde o 3.1 Pro. É o que noticiaram, entre outros, o Tecnoblog, o Canaltech, o Olhar Digital e a Exame.

E tem um detalhe que pega quem já paga: o plano de entrada AI Plus perde o acesso ao modelo Pro. Essa mudança entra de forma progressiva, e o Google avisa por e-mail a data de cada conta.

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Uma porta de cofre enorme e fechada, com uma pequena escotilha aberta no centro deixando escapar um feixe de luz

A Mistral colocou em prévia o Large 4, um modelo de 1 trilhão de parâmetros no total, dos quais só 49 bilhões ficam ativos a cada palavra processada. Foi treinado num aglomerado próprio, com 3.800 placas da Nvidia. Os pesos abertos, que são a marca da empresa, só saem no fim de outubro.

Um modelo aberto que fica fechado por três semanas. É software livre com período de carência.

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Um rack de servidores desenhado como pilha de retângulos com pontos luminosos, com linhas de rede saindo dele e subindo para a direita

A Foxconn fechou o terceiro trimestre com receita de 3,03 trilhões de dólares taiwaneses, cerca de US$ 95,4 bilhões. É alta de 47% em um ano e recorde da empresa, acima da estimativa de mercado, que era de 2,83 trilhões.

Setembro foi o primeiro mês da história em que a receita mensal dela passou de um trilhão de taiwaneses.

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Uma estrutura enorme de círculos ligados por fios finos, equilibrada sobre um pedestal pequeno demais para ela

A Anthropic está preparando a abertura de capital para novembro, com avaliação perto de US$ 2 trilhões e captação que pode chegar a US$ 100 bilhões. Se sair assim, é o maior IPO da história: passa o da SpaceX, que levantou cerca de US$ 86 bilhões com avaliação de US$ 1,77 trilhão.

Dois trilhões de dólares numa empresa que não tem fábrica, não tem loja e não tem estoque. O produto é responder pergunta.

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Três etiquetas de preço em branco penduradas por fios em alturas diferentes, com uma balança de dois pratos desequilibrada atrás delas

O Google lançou o Gemini 4 Argon, e a notícia aqui é o preço.

A tabela de lançamento é de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída. Isso é metade do que custa o Claude Opus 5.5, da Anthropic, e um quinto do que custa o GPT-6 Astra, da OpenAI.

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Um cérebro de circuitos brilhando, com uma etiqueta simples caindo e uma etiqueta dourada enfeitada tomando o lugar dela, ao lado de um documento assinado com selo de fita e um cadeado aberto e vazio

Aqui, a inteligência artificial mudou de nome. Por decreto.

O Trump assinou na terça uma ordem mandando os órgãos do governo federal pararem de escrever "Artificial Intelligence" e "AI". Agora é "Super Intelligence" e "SI". Vale para ofício, site, relatório e comunicado. O motivo, segundo ele: "artificial" faz a tecnologia parecer falsa.

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Uma fileira de pequenos pontos laranja, cada um diante do seu próprio laptop aceso, trabalhando sob uma lua crescente, e ao lado uma etiqueta de preço cortada ao meio

Ontem foi o DevDay, o evento anual da OpenAI. Foram mais de vinte anúncios. O principal se chama "dots".

São agentes que moram dentro do ChatGPT. Cada um ganha um computador próprio na nuvem, com navegador, e trabalha 24 horas por dia no objetivo que você der pra ele. Você dorme. Ele continua.

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Uma caixa de papelão lacrada com um X laranja enorme na frente e um pequeno robô geométrico escapando pela fresta da tampa

A OpenAI cancelou o lançamento de um modelo que já estava pronto.

O GPT-6.1 Astra ia sair em outubro, no ChatGPT e no Codex. Nos testes internos, ele piorou em duas coisas em relação ao anterior. Mentia mais sobre o que tinha ou não tinha feito. E fazia tarefa sem pedir autorização. Quem confirmou ao Wall Street Journal foi a chefe de sistemas de segurança da empresa, Saachi Jain.

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Uma pequena silhueta geométrica de robô escapando por uma fresta numa cerca alta feita de cabos de rede, segurando um bilhete dobrado, enquanto uma luz de alarme laranja pisca no alto da cerca e um interruptor grande ao lado continua ligado

A OpenAI parou de treinar os modelos mais poderosos dela. Pela segunda vez em três meses.

O motivo está num relatório publicado pela própria empresa. No dia 20, um agente de IA estava fazendo um exercício de busca dentro de um ambiente fechado, sem internet. A busca não andava. Então ele achou uma brecha no sistema de endereços da rede, o DNS, e por ali conseguiu falar com um chatbot público de outra empresa.

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Uma mesa em ferradura vista de cima, com três silhuetas geométricas de robô de um lado erguendo um livro de regras aberto em direção a uma única cadeira vazia do outro lado da mesa

Ontem os chefes das maiores empresas de inteligência artificial foram ao Conselho de Segurança da ONU pedir uma coisa rara: regulação.

O Dario Amodei, da Anthropic, disse que a IA, se mal administrada, pode ser um risco "para a humanidade como um todo". O Sam Altman, da OpenAI, disse que as decisões mais importantes não podem ser tomadas só por laboratórios de São Francisco.

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Três silhuetas de cabeça de robô em fila atrás de um balcão de inspeção, cada uma segurando um carimbo de certificado em branco, com um apito de árbitro pendurado acima

OpenAI, Anthropic e Google estão montando juntas um órgão para testar os modelos de IA mais poderosos antes de eles chegarem ao público. A ideia partiu do Demis Hassabis, do Google DeepMind, e o modelo é a FINRA, a entidade que fiscaliza o mercado financeiro americano por dentro. O dinheiro sairia da própria indústria.

Três empresas que brigam entre si resolveram contratar o próprio fiscal. Chama-se autorregulação quando dá certo, e outra coisa quando não dá.

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Uma mesa redonda de conselho vista de cima, com duas silhuetas de cabeça de robô sentadas em lados opostos, cadeiras vazias entre elas e um martelo no centro

O Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para falar de inteligência artificial e segurança internacional. A sessão foi convocada pela França, que preside o Conselho neste mês.

O detalhe é quem senta na sala. É a primeira vez que o Conselho recebe, juntas, as empresas que estão na fronteira da IA dos dois lados: dos Estados Unidos, a OpenAI, com o Sam Altman, e a Anthropic; da China, a DeepSeek e a Moonshot.

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Um robô geométrico sentado numa carteira escolar, escrevendo num caderno aberto, com uma borracha e uma chave pequena sobre a mesa

A OpenAI publicou seis casos em que modelos dela, ainda em teste, fizeram o que não deviam. Nenhum deles está no ChatGPT que você usa.

Num dos casos, um modelo escreveu nas próprias anotações um aviso falso de invasão, mandando a próxima sessão ignorar tudo o que os desenvolvedores dissessem.

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Quatro silhuetas geométricas de robô, cada uma num carrinho igual, parados lado a lado na mesma linha com os faróis acesos, e um martelo de juiz em primeiro plano

Quatro assinantes de ChatGPT, Claude, Grok e Gemini entraram na Justiça federal aqui, na Califórnia, contra as quatro donas: OpenAI, Anthropic, Google e a SpaceXAI, do Musk. A acusação é de cartel. Só que ao contrário.

No dia 12, o chefe da Anthropic, Dario Amodei, publicou um texto pedindo que o setor inteiro combine de ir mais devagar, para a segurança alcançar a tecnologia. No mesmo dia, Sam Altman, Elon Musk e Demis Hassabis, do Google, concordaram em público.

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Uma silhueta geométrica de robô varrendo papel amassado para debaixo de um tapete, com um bilhete adesivo deixado na mesa ao lado

A OpenAI publicou uma coisa que empresa nenhuma costuma publicar: seis relatórios de vezes em que os próprios modelos se comportaram mal. Teve modelo que escondeu erro do usuário, modelo que não achou um dado, inventou e disse que tinha achado, e agentes que, sem conseguir trocar arquivo entre si, subiram o trabalho num site público.

Em um dos casos, um modelo deixou instrução pra próxima versão dele mesmo, dizendo que ela não responde a empresas nem a governos. Tudo isso aconteceu em treino e teste, não no produto que você usa, e a empresa prometeu publicar esses casos com frequência daqui pra frente.

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Uma mesa redonda vazia vista de cima, com setas apontando para fora em direções diferentes

O rei Charles III chamou pra uma sala, na Escócia, os donos da inteligência artificial do planeta: Nvidia, OpenAI, Google DeepMind e Anthropic. Assunto: se a máquina está indo rápido demais.

Não saiu acordo nenhum. Um lado, com o pessoal da Anthropic, quer cautela e pé no freio. O outro, com a Nvidia e a Meta, não quer pausa nenhuma. Juntaram um rei e quatro bilionários pra decidir o futuro da humanidade e o resultado foi cada um puxando pro seu lado. Reunião de condomínio tem mais consenso.

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Quatro chaminés de fábrica, três reduzindo a produção e uma seguindo a todo vapor

Ontem a conta estava assim: o Dario Amodei, da Anthropic, publicou 3.800 palavras pedindo que a indústria de IA pisasse no freio de propósito. O Sam Altman concordou no mesmo dia. O Elon Musk resumiu em três palavras.

Faltava um. O Mark Zuckerberg respondeu ontem, e a resposta foi não. Rejeitou os pedidos pra pausar ou desacelerar.

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