A bolsa subiu, o dólar caiu, e a IA foi aprender COBOL.
O Ibovespa subiu 1,57% e bateu 208 mil pontos, o dólar caiu pelo quarto pregão seguido a quatro dias da eleição, a OpenAI anunciou que seus modelos novos ficaram bem melhores em COBOL e Fortran, o petróleo voltou a 110 dólares, e a Quaest pós-debate deu Flávio 52% a 48% nos votos válidos, com a diferença triplicando em uma semana.
Bom dia. O Brasil teve um dos melhores dias do ano no mercado. A bolsa subiu 1,57% e bateu 208 mil pontos, e o dólar caiu pelo quarto pregão seguido.
E a notícia de inteligência artificial do dia não é sobre robô que escreve poema. É sobre uma linguagem de programação de 1959.
O dólar (e o resto do mercado)

O dólar caiu pelo quarto pregão seguido. Às 9h42 de Brasília a AwesomeAPI marcava R$ 5,0133, queda de 0,21% no dia, com máxima de R$ 5,0334 e mínima de R$ 5,0088. Ontem a moeda fechou a R$ 5,0188, recuo de 0,58%.
A sequência, em quatro pregões: 5,0645 · 5,0402 · 5,0238 · 5,0156.
E a bolsa teve um dia grande. O Ibovespa subiu 1,57% e fechou aos 208.295,98 pontos, com giro de R$ 29,1 bilhões. A máxima do dia foi 208.942 e a mínima, 205.082.
O motivo que os operadores deram é curto: dólar mais fraco no mundo, dinheiro estrangeiro entrando na bolsa brasileira e petróleo mais barato na véspera, tudo isso a cinco dias do segundo turno.
Em Nova York o dia foi dividido. O Dow subiu 1,02%, aos 52.495,88. O S&P 500 subiu 0,31%. E o Nasdaq ficou parado, caindo 0,02%, aos 26.424,82.
O petróleo voltou para cima. O Brent está em US$ 110,13, alta de 1,23% no dia, e subiu 10,96% no último mês.
O ouro continua perto do topo. Estava em US$ 4.125,50 a onça às 6h41 de Nova York.
Bolsa em 208 mil, dólar em quatro quedas seguidas, e tudo isso na semana em que ninguém sabe quem ganha domingo. O mercado está mais tranquilo que o grupo da família.
O que a IA aprontou

### A OpenAI anunciou que os modelos novos ficaram bem melhores em COBOL, Fortran e Visual Basic.
Parece notícia de nicho. Não é.
O COBOL é de 1959 e é o que roda, até hoje, uma parte enorme dos sistemas de banco, de folha de pagamento e de governo no mundo inteiro. Quando um caixa eletrônico processa um saque, tem boa chance de ter COBOL no caminho.
O problema dessas linguagens não é técnico, é demográfico. Quem escreveu esses sistemas está aposentando. E inteligência artificial aprende com volume de exemplo: como quase ninguém escreve COBOL novo há décadas, os modelos eram ruins justamente onde o código é mais velho e mais crítico.
O que a OpenAI diz ter melhorado é exatamente isso: criar e migrar software em linguagens com pouco dado de treino.
E tem mais coisa vindo, segundo o noticiário de ontem: o Google trabalha no Gemini 4 Carbon, a OpenAI prepara um modelo da família Terra mais barato que o GPT-6.1 Sol, e a Anthropic estuda lançar um modelo novo antes de estrear na bolsa, em novembro.
A corrida bilionária da inteligência artificial chegou na linguagem que o seu banco usa desde antes de você nascer.
Brasil e Estados Unidos

O dinheiro de fora está apostando no Brasil na semana da eleição, e isso aparece em dois lugares ao mesmo tempo. A bolsa subiu 1,57% com entrada de estrangeiro, e o dólar caiu pelo quarto pregão seguido.
É o contrário do que costuma acontecer em véspera de eleição apertada. Normalmente a incerteza faz o dinheiro sair e o dólar subir. Aqui está saindo dólar e entrando bolsa, com a disputa empatada.
A leitura mais provável, e ela é chata: não é que o mercado goste de um lado. É que ele já colocou os dois cenários no preço e parou de ter medo do resultado. Incerteza que acabou vira calmaria, mesmo sem ninguém saber quem ganha.
Em ano de eleição o estrangeiro não torce. Ele só quer saber a que horas acaba.
Se você está pensando em mudar

Eu não sou advogado e isto não é conselho de investimento. É uma conta que quase ninguém faz, e que vale tanto para quem vai quanto para quem já foi.
Todo mundo olha o dólar pensando em quanto custa sair. Quase ninguém olha pensando em quanto rende depois.
O dólar está em R$ 5,0133. Em 23 de janeiro ele estava em R$ 5,2843. É uma queda de 5,1% no ano.
Na prática, para quem ganha em dólar e tem conta no Brasil:
| salário mensal | em janeiro | hoje | diferença | |---|---|---|---| | US$ 3.000 | R$ 15.853 | R$ 15.040 | R$ 813 a menos | | US$ 5.000 | R$ 26.422 | R$ 25.066 | R$ 1.355 a menos | | US$ 10.000 | R$ 52.843 | R$ 50.133 | R$ 2.710 a menos |
Mesmo salário, mesmo trabalho, mesmo contrato. A diferença veio só do câmbio.
Por que isso importa para quem está planejando: quase todo plano de mudança é feito com o dólar de hoje e a renda de amanhã. Se você tem dívida, família ou imóvel no Brasil, o seu salário em dólar não é um número fixo. Ele é uma linha que se mexe sozinha, nos dois sentidos.
Quem mudou e deixou boleto no Brasil descobre isso todo dia 10.
O que está bombando

A Quaest saiu hoje de manhã, e a diferença triplicou em uma semana.
A nova rodada, a primeira feita inteiramente depois do debate de domingo, dá Flávio Bolsonaro com 52% e Lula com 48% nos votos válidos.
Na rodada anterior, de 14 de outubro, era 50,5% a 49,5%. Ou seja: de um ponto para quatro, em sete dias.
E a Quaest mediu o debate enquanto ele acontecia, com um grupo dando nota de zero a cem. Flávio tirou 82. Lula tirou 79. Flávio apareceu como mais seguro e mais direto em segurança pública e tecnologia. Lula foi melhor em saúde e pandemia, mas parte do grupo achou as respostas dele confusas e cheias de número demais.
Agora a parte que não combina com o resto. No Índice de Popularidade Digital, que é da mesma Quaest, Lula ampliou a vantagem: 83,3 pontos contra 76,6 do Flávio.
Perdeu no debate, perdeu na pesquisa e ganhou na internet. Alguém está medindo coisa diferente, ou a internet não é o país.
O Datafolha sai amanhã. O último, com campo de 13 a 15 de outubro, tinha dado 51% a 49%.
A eleição é domingo. Faltam quatro dias, e ainda tem debate na sexta.
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O Brasil e os Estados Unidos vistos por quem mora fora. IA, mercado americano e o que a distância deixa ver. Sem enrolação e sem vender curso no meio do texto.
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