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O petróleo passou de 109. E a IA apanhou de novo.

O petróleo passou de 109. E a IA apanhou de novo.

O Brent bateu o maior valor desde maio com ataques no Estreito de Ormuz, a Nasdaq caiu 2,14% e a CoreWeave perdeu 11,91% na sexta, Lula e Flávio se encontraram pela primeira vez num debate a sete dias da eleição, a OpenAI lançou apresentações e agentes que trabalham sozinhos, e 918 mil brasileiros podem votar no exterior no domingo, com uma armadilha que muita gente vai descobrir tarde.

Bom dia. Na sexta o dinheiro fez uma troca que vale guardar: saiu do que promete o futuro e foi para o que move caminhão. A Nasdaq caiu 2,14% e o petróleo subiu 3,72%.

E ontem, a uma semana da eleição, Lula e Flávio se olharam pela primeira vez na campanha inteira.

O dólar (e o resto do mercado)

Um barril de petróleo com o nível quase no topo, contornado em dourado, com a marca de uma gota, e ao lado uma seta dourada apontando para cima

O dólar abriu a semana em queda. Às 9h04 de Brasília estava em R$ 5,053, recuo de 0,23%, com máxima de R$ 5,0645 e mínima de R$ 5,0513. Na sexta fechou a R$ 5,073, queda de 0,28% no dia — mas alta de 1,75% na semana.

O petróleo foi o grande movimento. O Brent subiu 3,72% na sexta e fechou a US$ 109,86, o maior valor desde maio, com alta de 4,7% na semana. Nesta manhã está em US$ 108,43.

O motivo é geopolítico, e são três frentes ao mesmo tempo: ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz, bombardeios ucranianos contra refinarias russas, e ações dos houthis na infraestrutura de energia da Arábia Saudita.

No Brasil, isso tem nome e sobrenome: Petrobras. A estatal puxou sozinha a única alta da semana no Ibovespa. PETR4 subiu 4,04% e PETR3 subiu 3,53% na sexta, e o índice fechou em alta de 0,54%, aos 205.430,33 pontos. Na semana, mesmo assim, o Ibovespa caiu 1,74%.

Em Nova York foi o contrário, e de novo por causa da inteligência artificial. O Nasdaq caiu 2,14%, aos 26.140,03. O S&P 500 caiu 1,09%, aos 7.659,44. O Dow caiu 0,34%, aos 52.002,41.

A CoreWeave virou o termômetro da semana, e ele está quebrado. Caiu 15% na quarta, subiu 5,94% na quinta e caiu 11,91% na sexta, fechando a US$ 61,39. Em três pregões, a empresa que aluga o computador da IA andou mais que a maioria das ações anda em um ano.

Uma boa notícia doméstica passou quase despercebida: o IBC-Br de agosto, a prévia mensal do PIB, veio com alta de 0,3%, acima da mediana esperada pelo mercado, de 0,12%.

A agenda de hoje: o Boletim Focus, o IGP-10 de outubro e a inflação do Canadá. Semana curta de dados e longa de política.

O que a IA aprontou

Um slide de apresentação dourado, com barra de título e três linhas de texto, e ao lado uma engrenagem laranja girando sozinha

A OpenAI colocou duas coisas no ar na sexta, e as duas estão nas notas de versão da própria empresa.

A primeira é apresentação. O ChatGPT Slides monta um slide a partir de uma conversa, de um arquivo ou de um roteiro, e você pode mandar um modelo de exemplo para ele copiar o estilo. Dá para editar texto, imagem, forma e gráfico na mão, chamar gente para editar junto em tempo real, apresentar direto de lá e exportar para PowerPoint, PDF ou Google Slides. No aplicativo de computador, abre no PowerPoint ou no Keynote.

A segunda é mais séria, e chama "dots". São agentes que continuam trabalhando entre uma conversa e outra. Você dá um objetivo, conecta os aplicativos que ele precisa, define o que ele pode fazer sozinho, e ele traz o resultado para você revisar. Cada um roda no próprio computador na nuvem.

Agora a parte que ninguém põe no anúncio. O Slides sai para assinantes Pro, Business e Enterprise com acesso ao Space. Os dots saem para Pro e Business Premium, maiores de 18 anos — e o acesso Pro exclui a União Europeia, a Suíça e o Reino Unido no lançamento. No Enterprise é beta e vem desligado.

Por um mês, o uso dos dots não conta na cota do plano. Depois conta.

O robô que trabalha sozinho chegou. Só não chegou onde perguntam antes o que ele vai fazer.

Brasil e Estados Unidos

Uma cédula dourada no centro, atravessada por duas trajetórias que se cruzam: uma laranja subindo e uma clara descendo

O dólar subiu 1,75% contra o real na semana passada, e isso não foi força do dólar. Na sexta, enquanto a moeda americana caía 0,28% aqui, o DXY — o índice que mede o dólar contra as moedas ricas — também caía, 0,25%, fechando aos 101,81 pontos.

Quando o dólar cai lá fora e sobe contra o real, o que mudou não é o dólar. É o Brasil. O que mexeu no câmbio na semana passada foi a eleição apertando, não Washington.

E o petróleo a US$ 109 é o pedaço da conta que os dois países dividem. No Brasil ele valoriza a Petrobras e pressiona o combustível. Nos Estados Unidos ele chega direto na bomba. A diferença é que aqui tem eleição no domingo, e lá não.

Se você está pensando em mudar

Uma urna dourada com uma cédula laranja entrando pela fenda, e ao lado um cadeado laranja fechado

Eu não sou advogado. Isto aqui é informação pública do Tribunal Superior Eleitoral, e vale para quem já saiu do Brasil.

São 918.876 brasileiros aptos a votar no exterior neste domingo, distribuídos por 186 cidades. As seções funcionam em sua maioria em consulados e embaixadas, mas também em hotéis e escolas. Fora do país, o voto é só para presidente e vice — não há outro cargo em disputa.

E aqui está a armadilha, que é a parte que mais gente erra: estar fisicamente em outro país no dia da eleição não dá o direito de votar no consulado. Isso vale apenas para quem transferiu formalmente o título para a Zona Eleitoral do Exterior. O cadastro eleitoral fechou em 6 de maio de 2026, 150 dias antes do primeiro turno. Quem não transferiu até lá não vota fora nesta eleição, mesmo morando fora há anos.

Para quem está nessa situação, a saída é justificar, e o prazo é generoso: até 8 de janeiro de 2027 para a ausência no segundo turno. Dá para fazer pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento do TSE, ou em até 30 dias depois de voltar ao Brasil, em qualquer cartório eleitoral, com passagem ou carimbo no passaporte como comprovação.

Não existem mesas de justificativa no exterior. Só dá para justificar nas mesas que funcionam com urna eletrônica, ou pelo aplicativo.

Quem mora fora e não transferiu o título descobre isso no domingo, na fila do consulado.

O que está bombando

Dois púlpitos de debate frente a frente, um laranja e um dourado, cada um com um microfone claro apontado para cima

Lula e Flávio se encontraram pela primeira vez na campanha, ontem à noite, no debate da Band. Os dois passaram o primeiro turno inteiro sem ir a debate nenhum — a maioria foi cancelada justamente porque eles não confirmavam presença. Foram três blocos, sobre segurança, economia, saúde, produtividade, relação com os Estados Unidos e maioridade penal. Flávio prometeu declarar "guerra ao narcoterrorismo". E sobrou acusação dos dois lados sobre o Banco Master e os desvios do INSS.

Os dois passaram a campanha inteira fugindo de debate. Ontem se encontraram, e o país entendeu por quê.

O fim da escala 6x1 foi promulgado na sexta, três dias depois de passar no Senado por 75 votos a 1. Virou o centro da campanha: Lula usa como bandeira, e Flávio, que era contra, votou a favor.

E 4.352 seções eleitorais mudaram de endereço para o segundo turno, segundo o Tribunal Regional Eleitoral. A votação é das 8h às 17h, domingo. O próximo e último debate é na sexta, na Globo.

Confere o teu local de votação antes de sair de casa. Quatro mil e trezentas seções mudaram, e o aplicativo sabe disso melhor que a tua memória.

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